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O QUE É O ARARIBÓIA ROCK?
Araribóia Rock é um movimento democrático e espontâneo que tem como objetivo organizar as bandas de rock de Niterói – e por tabela São Gonçalo – para reivindicar interesses comuns e maior apoio da iniciativa pública e privda. Nossas propostas e nossas atividades são incluídas com freqüência no www.arariboiarock.blogger.com.br e no Araribóia Zine, que tem tiragem de 1.000 exemplares com distribuição gratuita.
Apresentem os envolvidos no projeto. Quem são, quais atividades realizam, enfim. Como surgiu a idéia do Araribóia Rock?
A idéia inicial partiu de mim, Pedro de Luna, que sou jornalista, publicitário e cartunista. Reparti a idéia com mais dois amigos do meio que abraçaram a causa. O Maurício Machado, baterista do Bendis e formado em Turismo, não milita tanto por que tem emprego fixo. Já o músico Marcelo Blau Blau virou meu principal parceiro na empreitada. Porém queremos e precisamos aumentar o grupo de trabalho. A maior dificuldade é encontrar gente com disposição e profissionalismo por que, pode não parecer, mas a responsabilidade é grande.

Como vocês tem sentido a reação do público com relação ao projeto?
Muito receptivo. Acreditamos que a novidade sempre motiva as pessoas, sobretudo quando apresenta resultados.Torcemos para que esse otimismo geral aumente cada vez mais e se transforme numa mola propulsora, incentivando a criação de mais bandas, mais veículos de comunicação, lojas especializadas e, principalmente, mais espaços para shows de rock.
As bandas estão aderindo de acordo com o esperado? Aliás, o que é preciso para que uma banda faça parte do Araribóia Rock e conseqüentemente participe dos eventos promovidos pelo projeto?
Sim, estão aderindo. Para fazer parte basta enviar CD, release e foto para a Cx Postal 106.083 Niterói RJ 24232-970, falar dele em entrevistas, colocar a logomarca do movimento nos flyers, sites, CDs e onde mais tiver oportunidade. Enfim, se sentir um roqueiro de Araribóia.
Falando em eventos: Me espanta uma cidade como Niterói, que faz algum tempo tinha um cenário underground movimentado, hoje ter apenas um espaço (Convés Bar) no qual aconteçam eventos ligados ao meio underground com freqüência. Existe algum tipo de projeto do Araribóia Rock que vise abrir as portas de mais espaços para o underground em Niterói?
Certamente. A partir do momento em que existe uma representação de classe, fica mais fácil para um produtor ou empresário se relacionar. Um exemplo de sucesso é o Arab´s Café, no trevo de Piratininga e Itaipu, que começamos a lotear e agora recebe shows de rock quase toda sexta-feira. Os bares, clubes e boates precisam acreditar no rock autoral – não apenas em bandas covers – tomando o cuidado de escolher as pessoas certas, e não os oportunistas ou produtores amadores. No entanto ainda falta uma casa de shows de verdade na cidade.

Até, mais ou menos, o ano de 2000 podia-se dizer que a cidade tinha uma cena underground, por assim dizer. Havia espaços como Bedrock, Lokau, Espaço DCE, Praia do Delírio, enfim, uma quantidade maior de bandas investindo em trabalhos próprios, uma diversidade maior de estilos e um público que parecia mais numeroso e mais interessado no que acontecia no underground da cidade. Hoje, apesar de iniciativas como a de vocês e o surgimento de fanzines e eventos, o quadro não me parece ser dos mais animadores. A que vocês atribuem essa mudança e como fazer para reverter esse quadro?
É muito difícil dar uma resposta precisa a isso. Mas listaria alguns fatores. São eles: preguiça, colonialismo (o sentimento de que o que vem de fora é sempre melhor, seja do exterior, seja de outro estado), o crescimento da música eletrônica (acredite, muito roqueiro deixa de ir pra show para ir a festas eletro e raves), menos senso de coletividade (antigamente éramos uma grande família onde todos se conheciam) e menos interesse (antes as bandas iam aos shows das outras, mesmo quando não iam tocar).
Existe a idéia de levar bandas para lançar material através do selo Niterói Discos, não é mesmo? Como viabilizar esse tipo de lançamento pela Niterói Discos que, até onde eu saiba, tem praticamente nenhuma tradição em lançamentos no segmento Rock?
Para nós, a viabilidade só acontece através de resultados concretos, mostrando qualidade das bandas e retorno do produto. Porém o selo municipal tem uma estrutura limitada a poucos lançamentos por ano. Diante disso a saída, a meu ver, é a criação de novos selos e a maior profissionalização dos já existentes, como Tomba Records e Astronauta Discos. Nada impede a criação de um selo Araribóia Discos também. Em 2005 a Niterói Discos abriu um edital para uma coletânea em parceria conosco, a Pop Goiaba e o site Tosembanda. Os grupos foram escolhidos mas o disco não saiu até hoje. Mistérioooo....

Vocês enxergam, no futuro, uma expansão nos projetos do Araribóia Rock, como coletâneas, festivais, alguma coisa de rádio ou algo do tipo?
Sim, tudo isso e mais um grande evento com palestra, debate e workshop. Entreter apenas não basta, precisa informar, dialogar, trocar idéias. De nada adianta o público entrar desinformado e sair da mesma maneira.
Como vocês vêem a imprensa alternativa em Niterói? Tem surgido novos fanzines e sites, ou seja, as iniciativas existem. Mas vocês acreditam que o público daqui ainda se interessa por este tipo de informação?
Sim, mas menos que o ideal. Precisamos nos esforçar (todos nós) para ter mas qualidade editorial e aumentar a visibilidade dos meios, sobretudo para o público “leigo” e “flutuante” (aquele que gosta de tudo, de forró a mpb passando por rock). Daí as parcerias constantes do Araribóia Rock com todos os sites, revistas e jornais de rock.

O Araribóia Rock abriu espaço para que as bandas da cidade enviassem seu material. De acordo com os cd’s que estão chegando, qual a impressão que vocês estão tendo? Muita coisa nova legal chegando?
A produção é mais lenta que o ideal, a galera ainda demora muito para gravar e não tem a cultura do single no Brasil. Quando eu viajo (e vou direto pra festivais pelo Brasil), eu levo discos das bandas daqui. O problema é que a maioria ainda não quer se dar ao trabalho de vir me entregar. Espero que isso mude a partir de agora, com o site.
Sendo Niterói uma cidade, reconhecidamente, muito musical é obvio que diversos estilos acabem se manifestando e por fim chegando até vocês. Uma impressão que eu tenho é que os shows por aqui, atualmente, abrigam apenas bandas cujos estilos se aproximem do punk Rock, do hc/emo (e afins) ou new metal (e ramificações), enfim, vertentes novas dentro do Rock que estão em evidência. Sendo que também tem o progressivo, o experimental, heavy metal, indie, enfim, o Araribóia Rock está aberto, e se sente pronto, para lidar com uma quantidade tão grande de sub divisões?
Particularmente eu acho a divisão uma burrice. Essa coisa de fazer evento só de metal ou só e hardcore, por exemplo, segmenta o público e impede das pessoas conhecerem outros estilos, ficando bitoladas. Sou a favor do ecletismo, como foi nos anos 90. Colocar no mesmo evento uma banda punk com outra de hip hop, uma mais chapada, uma de metal pesadão e, por que não, uma de reggae? Se cada um levar o seu público, melhor pro evento e para o produtor, que está sempre colocando o dele na reta. Vale lembrar que existe o Reggae Movimento, uma produtora muito bacana tocada pela Andrea Dacal e Carol Aranha que faz ótimo trabalho. Também vale destacar a atuação de produtores de São Gonçalo como Batoque, Mauro Porto, Ninja e Anderson Bicudo, bem como o Rafael do Feira Moderna Zine, que realiza eventos e edita o zine, claro.
Planos para o futuro?
As metas são formar uma ONG, o Instituto Araribóia Rock, e batalhar por uma sede própria, além de transformar o blog num website e realizar um grande festival, inclusive com grupos de fora do estado, com a finalidade de incluí-lo no calendário anual de eventos do município. Anime-se e arregace as mangas, toda ajuda é muito bem vinda.
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